Somente sete, é verdade. Nenhuma igual e todas semelhantes. A engomada roupagem, afinal, personalifica-se na guitarra aqui, numa peça acolá e assim, nessas peças soltas, ora distantes, vê-se o remonte dos cacos de um espelho Brasileiro. O hibrido espetáculo logo se questiona:

 

Quem Sou?

 

Queremos corpos, tudo mesmo, chocando-se; cumprimentos rápidos, quase adeus. Queremos fé exaltada e nordeste, Rock e banheiros. Necessitamos de madrugadas em claro, aprendizes. Fumaça de cigarros mal fumados, jazz. Encontros com nós, tão outros quanto eu; desconhecidos próximos, muitas vezes ao ano. Aqueles que tribalmente separaram-se, agora confluem nos labirintos culturais dividindo o mesmo inesquecível anseio:

 

Da onde vim?

 

Tantas pequenas façanhas acontecem nessas vinte e quatro horas e a impressão informa que o melhor está a começar sempre dez quadras daqui:

- Que horas são, meu camarada?

-Dez pras quatro e quinze.

 

-Pra onde vou?

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 18:59 | link do post
"O mercado acionário é feito para transferir  dinheiro dos apressados
para os pacientes." - Warren Buffett
publicado por Michel de Abreu Carvalho às 19:40 | link do post

"Se você olha pra mim
Se me dá atenção
Eu me derreto suave
Neve no vulcão

Se você toca em mim
Alaúde emoção
Eu me desmancho suave
Nuvem no avião

Himalaia himeneu
Esse homem nú sou eu
Olhos de contemplação

Inca maia pigmeu
Minha tribo me perdeu
Quando entrei no templo da paixão"

 

composição de Chico César

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 10:29 | link do post

Alice no País das Maravilhas, por Tim Burton, possui todas as marcas que consagrou seu idealizador; Johnny Depp no papel, agora, principal do longa. Contudo, a versão em 3D ficou, e sempre ficará, muito aquém daquela criada pela criança curiosa que lê um exemplar do Best Seller de Charles Lutwidge Dodgson, pseudonimo de Lewis Carroll, publicado aos 4 de Julho de 1865.

 

 

 

por Michel Carvalho.

 

 

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 20:47 | link do post

 

"Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, permência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-la por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer principalmente.)

 

 

E nisto me comparo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

Meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo dos outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mas artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente."

(EU, ETIQUETA. Carlos Drummond de Andrade)

 

 

 

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 21:02 | link do post

 

 

 

(*)Assista os dois vídeos simultaneamente

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 19:54 | link do post

Esta névoa do chocolate quente;

muito mais,

Ela do que a filha do circo,

bonita:

 

era um dia, domingo e suas vestes,

enquanto as nossas mães conversavam,

nós nos recostávamos à máquina de costura,

 

Singer, a velha máquina — se não tínhamos um piano;

quando me dei conta,

suavemente eu lhe olhava os cabelos,

que também lhe olhava rapidamente os olhos calmos.

 

Se algum gesto foi feito à tesoura era apenas um disfarce:

nada haveria de nenhum corte. 

E se confundem todas as luzes

numa névoa fina

de xícara e cálice:

 

Mirtes — adolescíamos.

(Soares Feitosa)

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 21:17 | link do post

Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!"

"O Peixe - Patativa do Assaré"

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 00:49 | link do post

Vende-se uma Vuvuzela

 

5 jogos de uso (Semi-nova)

 

Bônus: 1 boné + 1 corneta + 1 bandeirinha

 

Preço: tratar aqui

 

 

 

 

 

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 23:15 | link do post

 

Maria Bethânea e Chico César - A Força Que Nunca Seca

 

 

 

 

Fotografia: Paulo Liebert

 

publicado por Michel de Abreu Carvalho às 22:54 | link do post
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